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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Início, meio, fim. Recomeço.

Pela primeira vez em todos esses meses de blog, eu venho até aqui sem ter nenhuma intenção, nenhuma vontade ou motivo especial. Pior que isso, sem nenhuma ideia na cabeça. Apenas as quatro palavras do título. Quatro palavras que trazem consigo tanto significado, que praticamente me empurraram pra frente do computador, e estão fazendo com que eu esteja aqui, num horário em que eu deveria estar trabalhando, estudando ou, por que não, dormindo. E como tudo na vida começa no início, segue pelo meio e termina quando chega ao final, talvez possamos considerar as linhas mal redigidas acima como o início do texto de hoje. Eu poderia parar por aqui, e teríamos o fim. Mas não há motivos para encerrar a escrita tão cedo. Acredito que exista algo a ser dito, só não descobri o quê. Prossigamos num próximo parágrafo.

Chegamos, então, ao meio. O meio é tudo que se diz entre o início e o fim. Geralmente é no meio que tudo começa a dar errado, e quando esse errado se torna insustentável, é sinal de que chegou ao fim. Há casos em que o erro já desponta logo no início, então o fim é antecipado. Existem também casos onde tudo começa a dar errado, errado, e nós adiamos o fim o máximo possível. O fim de qualquer coisa é sempre muito doloroso, porém na maioria dos casos em que ocorre, é necessário. E após determinados finais, voluntários ou não, desejados ou não, quase sempre há uma alternativa: o recomeço.

Recomeçar é tentar novamente, dar a cara à tapa mais uma vez. É estar disposto a passar por início, meio e fim outra vez, mas com a sabedoria e experiência de quem já viveu tudo aquilo antes, e agora encara a vida e as novas tentativas com cuidado para não cometer os mesmos erros da primeira vez. Poucos são os que têm a chance de recomeçar, menos ainda os que sabem aproveitar essa chance. É preciso saber perdoar, aprender com os erros, dar uma nova chance a si mesmo e ao próximo.

Por último, as três letras que, juntas, possuem o poder de mudar vidas. Juntas elas decidem destinos formando a palavra FIM. E estamos caminhando para o nosso, é chegada a hora da despedida. Sem erros, sem mágoas. Apenas a vontade de parar. De encerrar-se, ainda que as mãos teimem em trabalhar diante da tela, a cabeça já não a acompanha no mesmo ritmo, e necessita de um tempo só para ela. Mas não é um fim definitivo, ainda se pode contar com um possível recomeço...




*A Pequena que vos fala vai tirar umas férias de si mesma, fechar para balanço e manutenção por um tempo, ainda não sabe quanto. Portanto, o blog vai entrar em recesso por tempo indeterminado. Acabou por hoje, e pelos próximos dias. Mas acredito que em breve estarei de volta, com novas ideias boas e ruins, inteligentes ou não. Será o recomeço. Por enquanto, é o fim. Até qualquer dia.

sábado, 28 de agosto de 2010

Obrigado Por Fumar

Três situações distintas num mesmo dia, todas elas com um elemento em comum. É o tipo de coisa que merece ser relatada.

O tema já foi amplamente abordado em fóruns de discussão, debates, mesas de bar, e em qualquer outro lugar propício à nobre arte da argumentação: afinal,
a maconha deve ou não ser legalizada?

Ao contrário do que pode parecer, não vou usar esse espaço pra expor a minha opinião a respeito. Vou apenas descrever as situações que eu citei acima.

#1 - Enquanto estava no ônibus a caminho do lugar onde dei aula hoje, o senhor Marcelo D2 e seus parceiros do Planet Hemp cantam a plenos pulmões no meu fone de ouvido que uma erva natural não pode te prejudicar, que cantam assim porque fumam maconha, e que continuam queimando tudo até a última ponta. Em determinada canção, o mesmo D2 contesta a afirmação de que o Planet Hemp faz "apologia" às drogas. Significado de "apologia" no Aurélio: s.f. Discurso ou escrito que defende, justifica, elogia uma pessoa ou coisa. / Elogio, louvor, glorificação.


#2 - Ao final da aula de Redação, meus alunos iniciam um debate sobre diversos temas: eleições, casamento gay, e descriminalização das drogas. Dentre opiniões diversas, muitos eram a favor da legalização com o argumento de que o cigarro e o álcool matam muito mais e são legalizados, e que criminalizada como é hoje, a maconha acaba servindo como fonte de renda para traficantes. Outros afirmavam que isso nunca daria certo no Brasil, visto que o país precisa mudar em muitos aspectos sociais básicos antes de querer imitar Amsterdam, e diziam também que a maconha é porta de entrada para drogas mais pesadas, o que faria com que os traficantes tivessem lucro do mesmo jeito.

#3 - Já voltando pra casa, dentro do ônibus, vi uma menininha de cerca de 1 ano, no máximo, no colo de uma mulher. Provavelmente seus primeiros dentinhos de leite estavam nascendo, porque como toda criança nessa fase, a garotinha procurava por na boca objetos com os quais pudesse coçar a gengiva e aliviar o incômodo da primeira dentição. Pois bem, o objeto usado pela menina era um maço de cigarros, recém-comprado pela mulher que a carregava nos braços, talvez a sua mãe.


Três coisas que me fizeram pensar no dia de hoje. Em que eu pensei? Não importa, eu apenas pensei...


E se alguém aí quiser fazer o mesmo, fique à vontade. Como diz
um amigo meu, "Pense o que você quiser (Y)".

sábado, 21 de agosto de 2010

[...]

Sem pensar. Sem muita análise, reflexão, nada disso. A cabeça trabalha pouco, não quer falar, mas os dedos imploram por palavras. Eles falam por mim, enquanto pairam sobre o teclado em busca do que dizer.

Por aqui não há muito o que se fazer. Uma cama desarrumada, lençóis amassados, e que provavelmente esteve assim o dia inteiro. Papéis, livros e roupas pelo chão. Sentimentos pelo chão. Vidas pelo chão. Onde eu estive o tempo todo, que não vi nada acontecer? Um vento gelado invade o quarto, droga, esqueci a janela aberta. O vento toca de leve a minha alma, e eu sinto frio no espaço vazio que há dentro de mim. Esqueci meu coração aberto.

Não há nada pior do que fechar os olhos: faz com que eu me lembre de onde eu queria estar. Eu não queria ir embora, mas era necessário. Agora, mais do que tudo, quero voltar. Vou chegar sorrindo, sentindo o cheiro do café e do amor. Ouvindo risadas, vozes, violão e palavras soltas que só fazem sentido para mim. Quando eu voltar, vou fazer de cada segundo o mais bonito de todos.

Daqui eu ouço o som dos carros na estrada. Passam muito rápido. Ouço também o som das pessoas rindo e brincando nas casas vizinhas. Falam muito rápido. A vida passa muito rápido, mas não o suficiente. Ainda há muito a ser feito.

Outro dia me falaram de amor. Também me falaram de cavalos, de vinho e de política, mas eu prefiro o amor porque é um assunto que rende mais. Pro amor não existe o tempo. A vida pode passar rápido como os carros na estrada, mas o amor ainda vai permanecer intacto, se você cuidar direito dele. Se não cuidar ele acaba, e aí só resta falar de política. Ou de cavalos.

Cuida bem do amor pra mim: quando eu voltar, quero sentir o cheiro dele.

Começou a ventar de novo. Dessa vez, um vento mais forte, que espalha ainda mais os papéis pelo chão. Droga, esqueci a janela aberta.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pequena genialidade pelo mundo afora.


Numa semana como essa, após um Vasco x Flamengo no Maracanã com 8 bandeirões na torcida vascaína, é praticamente impossível falar de genialidade sem falar do Fernando Prass e suas defesas indefesáveis. Mas sem desmerecer a Muralha da Colina, que vem fazendo milagre atrás de milagre, hoje o assunto é um outro vascaíno genial. Pequeno e genial, e essa não é uma opinião exclusivamente minha.

Philippe Coutinho, o menino prodígio revelado no Vascão, vem se destacando na I
tália desde sua chegada e seus primeiros treinamentos pela Internazionale de Milão. E após sua partida de estreia, contra o Manchester City, o moçoilo foi chamado de "pequeno gênio" pela imprensa italiana.

Sério, gente. Saiu no
Jotabê Online.

"Na capa do jornal Gazzetta Dello Sport desta segunda-feira, o jovem meia-atacante é citado como um "pequeno gênio" e como um atleta que encantou no duelo contra o City, principalmente na primeira etapa, quando demonstrou sua qualidade de abrir uma defesa e ditar o ritmo à equipe."


Prova irrefutável de que a pequena genialidade é reconhecida em qualquer canto do planeta. Coutinho, além de estar jogando muito, ainda dá uma moral dessas pro nosso pequeno blog, diretamente da Itália.



Caso alguém aí entenda alguma coisa de italiano (mesmo que seja aquele bem brasileiro, bem novela das 8, coisa e tal...) e se interesse pela reportagem original, pode procurar aqui.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cores e Sons

Foi um dia daqueles que ficam pra sempre na memória. Ou melhor, uma noite.

Quando chegamos, já estava bem cheio, e mais gente chegava, chegava, chegava, até uma hora em que parecia não caber mais ninguém no galpão. Mesmo assim, a todo o momento mais pessoas entravam, e até onde disseram, foi assim até de manhã. Em determinados momentos, as luzes apagavam, a música parava, e depois de alguns segundos voltavam ao mesmo tempo, com muita força, e isso fazia com que todos ali cantassem ainda mais alto, dançando e vibrando com toda a energia que possuíam. Parecíamos em tudo com crianças, desde a alegria que não tinha fim, os pirulitos, balas e bebidas coloridas que eram servidos o tempo todo, até as roupas coloridas e vibrantes que brilhavam sob as luzes intensas.

De tudo, são tais luzes que permanecem com maior nitidez na minha memória. Verdes, azuis e violetas, uma de cada cor, uma de cada vez, todas juntas, piscando...
Depois de algum tempo, já não era capaz de identificar cada uma delas, mesclavam-se sob minha visão já distorcida, criavam novas cores e só o que eu podia notar era que acompanhavam sempre o ritmo da música, batidas semelhantes às dos corações ali presentes. Aliás, talvez nossos corações estivessem ditando a música naquela noite: uma batida rápida, acelerando cada vez mais, até chegar no auge... Silêncio. E recomeça.

Todas as coisas ali tinham suas cores, aliás, as minhas cores. Ganhavam a cor que eu queria dar a elas. Era só deixar a imaginação fluir, o que não era difícil, com o auxílio de tantas luzes e de todo aquele 'tuntz tuntz tuntz' que já fazia com que os corpos ganhassem movimento independente de nossas consciências. Conforme o tempo ia passando, tudo ficava mais bonito, as luzes piscavam mais depressa, as batidas da música aceleraram, juntamente com as do meu coração...

Até que tudo apagou.

Fui acordando aos poucos, sentindo um vento no meu rosto e um sacolejar muito forte. Abri os olhos com certa dificuldade, as pálpebras pareciam pesar mais que o de costume; ainda sem entender muito bem o que acontecera, notei que estava a bordo de um ônibus, a caminho de casa. Durante o resto da viagem, permaneci acordada com algum esforço, fazendo perguntas para as quais jamais obtive resposta: de onde teriam vindo todas aquelas luzes? Quem era aquela gente, por que estavam tão felizes? Que lugar era aquele onde tudo brilhava tanto, e que música estranha era aquela? Aquelas batidas rápidas, o compasso acelerado, que eu ainda sentia pulsar dentro de mim?

Cheguei em casa, e me deitei sem ao menos trocar de roupa. As perguntas ainda martelavam minha cabeça, mas aos poucos fui me desligando delas e relaxando. Só não conseguia me desligar daquele som mágico, que me causava arrepios e trazia consigo lembranças difusas de um galpão lotado, com muitas luzes e um 'tuntz tuntz tuntz' que jamais deveria ter fim.

domingo, 18 de julho de 2010

Um tanto bem maior.

Show? Que nada, só uma desculpa pra um monte de gente rara se encontrar.

Foi na sexta, dia 16. A trupe d'O Teatro Mágico pousava novamente em terras cariocas, e mais uma vez eu estava lá, pra acompanhar tudo, pular, cantar, dançar, viver e registrar na memória cada instante daquele espetáculo único, onde música, poesia, teatro e circo se misturam, e que tem o público como um dos elementos principais.


Naquele dia, a Fundição Progresso se tornou a casa de todos nós, camaradas d'água, poetas, bailarinas e soldados de chumbo. Alguns se arriscavam a pintar o rosto, com pasta d'água e maquiagem. Eu já não faço mais isso, a experiência me ensinou que não há make que resista ao suor e à vontade de pular abraçada aos amigos durante as músicas. Conhecidos ou não, durante as músicas todos os presentes ali são amigos de alguma forma. Tornamo-nos cúmplices, presenciando o segundo ato de um espetáculo só para raros.

Houve quem reclamasse do atraso na entrada da banda e da demora pro início do show. Mas mesmo quem reclamou não tem como negar que, apesar dos pesares, fomos compensados com uma apresentação única, rica em detalhes e de beleza ímpar.
A demora cansou grande parte da plateia, que não se mostrou tão empolgada como de costume em alguns momentos. Mas, sinceramente, teve gente que, assim como eu, nem viu a hora passar enquanto não começava. Estava cercada de pessoas maravilhosas: amizades recentes ou de longa data, amigos que há anos não via e reencontrei ali, amigos de infância que eu acabara de conhecer, irmãs de coração e de sangue, e até ele, aquele, que faz com que eu brilhe mais forte que a estrela do norte. Tudo numa coisa só.

As bonecas de pano, o cidadão de papelão, o mérito, o monstro. De ontem em diante, uma parte que não tinha. Dispostos que se atraem, que são beijo de partida e abraço de quem chegou.

Mas assim como veio, acabou. Chegou ao fim, belo e incerto. Certeza mesmo, apenas a de que só enquanto eu respirar continuarei celebrando muito mais!

domingo, 4 de julho de 2010

Bateu asas e voou.

Libertou-se da gaiola e de tudo que a prendia, inclusive de si mesma. Viu-se como os pássaros, pronta para voar o mais alto que pudesse, migrando e migrando, seguindo apenas seus instintos. Ah, como era bom sentir-se livre, enfim.

Não fora nada fácil chegar até ali. Na verdade, foi uma das decisões mais difíceis de sua vida, ela hesitou ao máximo até ter a certeza de que não havia nada mais a ser feito. Depois de muitas brigas, discussões, lágrimas e noites em claro, percebeu que o que antes parecia um sonho havia se transformado no pior dos pesadelos, numa prisão que se tornava cada vez menor e mais apertada. E ela ali, acuada, pequeno pássaro que fora atraído por um pedaço de pão para a grande armadilha de sua vida. Quando se deu conta, já estava aprisionada, guiada até a gaiola por seus próprios olhos cegos. Tão cegos que não a permitiram ver que a tal gaiola diminuía, aprisionando-a cada vez mais...

Certo dia, uma luz muito brilhante aproximou-se dela. Era uma luz quente, doce, linda, e que lhe transmitia muita paz. Deixou-se envolver por essa luz, por todo seu brilho, que a acalmava e confortava, e amenizava um pouco todo o sofrimento que lhe havia sido imposto. Até que a luz, que já a fazia sentir-se tão bem, tomou conta de seus olhos, e ela foi capaz de ver. Só então compreendeu que tudo que vivera até ali não tinha passado de ilusão, e que nunca houve prisão nenhuma: só o que a prendia eram seus próprios pensamentos. A gaiola, na realidade, esteve dentro de sua cabeça o tempo todo, e fazia parte de toda a ilusão vivida.

Desesperou-se ao perceber que havia passado tanto tempo vivendo uma mentira. Quis fugir, mas, como em tantas outras vezes, a luz envolveu-a como em um abraço. E a fez perceber que não se foge do que está dentro de nossa própria mente. Encorajou-a a ficar, a lutar pelo que queria e livrar-se do que não a fazia bem. E foi o que ela fez: abriu os olhos, rompeu com suas amarras interiores,
bateu asas e voou.

E continua voando. Hoje, é livre. Sabe-se livre. É capaz de ver e sentir o mundo ao seu redor. E sabe que nada mais vai tirar o brilho dos seus olhos e seu coração, pois agora tem a luz por companheira: mesmo quando sozinha, sente seu brilho intenso e seu calor a envolvê-la, e a voar sempre ao seu lado...