.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Súplica Fluminense

"Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há"

Os versos acima, compostos pelo mestre Luiz Gonzaga (e brilhantemente regravados pelo O Rappa) servem para ilustrar a triste realidade em que se encontra o Rio de Janeiro desde o início da semana. Nas primeiras 12 horas de caos, entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça,
choveu por aqui praticamente o dobro da média do mês de abril. O resultado disso é o que se vê a qualquer hora nos meios de comunicação: alagamentos, congestionamentos, deslizamentos e vítimas, muitas vítimas. Até o momento, 5 mil desabrigados só na cidade do Rio e 212 mortos em todo o Estado, e esse número provavelmente vai aumentar.

Desastre natural? Descaso das autoridades? A culpa é do povo? A culpa é de Deus?
Bom, com certeza não é nada natural o desastre que ocorre em alguns pontos da cidade toda vez que chove. A Praça da Bandeira é um exemplo incontestável disso, quem conhece sabe que por lá basta o tempo ficar nublado pra água chegar pelo menos na altura do tornozelo e o trânsito parar.

Também não dá pra dizer que é super comum chover 178mm em 12 horas, quando a média esperada é de 90mm para o mês inteiro. Lugar nenhum no mundo está preparado pra receber um volume tão grande de água em tão pouco tempo. Não há galeria pluvial que aguente.

Culpar o povo é ingenuidade, porém é o que mais se tem feito. "A culpa é do povo que joga lixo no chão e entope os bueiros", "as pessoas moram em área de risco porque querem", "não sabem eleger os governantes, dá nisso". Parece fácil culpar a tal da sociedade, fala-se em "sociedade" como se esta fosse um seleto grupo de pessoas responsáveis por tudo que há de errado no mundo. SOMOS a sociedade, culpar a sociedade é culpar a si mesmo.

Deus? Sei não... Eu e minha pequena opinião achamos que Ele provavelmente tem coisas mais importantes pra fazer do que tirar a vida de muitos, destruir a de outros tantos e deixar cidades em estado de calamidade. Certamente salvar pessoas dá muito mais trabalho, e em momentos de dor como esse Deus é requisitado até por gente com quem nunca teve contato antes.


Perde-se muito tempo discutindo sobre a existência ou não de culpados, sobre o que deveria ter sido feito, acusações e opiniões vindas de todo lado. É necessário que se perceba que esse tipo de discussão agora não é primordial, a prioridade no momento deve ser dar assistência à quem perdeu tudo com as chuvas: família, amigos, imóveis, documentos... O prejuízo é incalculável.

Apontar responsáveis pela tragédia não vai diminuir o sofrimento de milhares de pessoas que esperam por ajuda. Pela sua ajuda.
Aqui tem os endereços de alguns postos de arrecadação de donativos, qualquer contribuição é bem vinda. Roupas, água, alimentos, móveis, fraldas, produtos de higiene pessoal... Tudo.

É isso, pequenos leitores. Fica aqui minha solidariedade a quem perdeu alguém querido, e a torcida pra que todo esse caos acabe logo.

Um comentário: