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domingo, 4 de julho de 2010

Bateu asas e voou.

Libertou-se da gaiola e de tudo que a prendia, inclusive de si mesma. Viu-se como os pássaros, pronta para voar o mais alto que pudesse, migrando e migrando, seguindo apenas seus instintos. Ah, como era bom sentir-se livre, enfim.

Não fora nada fácil chegar até ali. Na verdade, foi uma das decisões mais difíceis de sua vida, ela hesitou ao máximo até ter a certeza de que não havia nada mais a ser feito. Depois de muitas brigas, discussões, lágrimas e noites em claro, percebeu que o que antes parecia um sonho havia se transformado no pior dos pesadelos, numa prisão que se tornava cada vez menor e mais apertada. E ela ali, acuada, pequeno pássaro que fora atraído por um pedaço de pão para a grande armadilha de sua vida. Quando se deu conta, já estava aprisionada, guiada até a gaiola por seus próprios olhos cegos. Tão cegos que não a permitiram ver que a tal gaiola diminuía, aprisionando-a cada vez mais...

Certo dia, uma luz muito brilhante aproximou-se dela. Era uma luz quente, doce, linda, e que lhe transmitia muita paz. Deixou-se envolver por essa luz, por todo seu brilho, que a acalmava e confortava, e amenizava um pouco todo o sofrimento que lhe havia sido imposto. Até que a luz, que já a fazia sentir-se tão bem, tomou conta de seus olhos, e ela foi capaz de ver. Só então compreendeu que tudo que vivera até ali não tinha passado de ilusão, e que nunca houve prisão nenhuma: só o que a prendia eram seus próprios pensamentos. A gaiola, na realidade, esteve dentro de sua cabeça o tempo todo, e fazia parte de toda a ilusão vivida.

Desesperou-se ao perceber que havia passado tanto tempo vivendo uma mentira. Quis fugir, mas, como em tantas outras vezes, a luz envolveu-a como em um abraço. E a fez perceber que não se foge do que está dentro de nossa própria mente. Encorajou-a a ficar, a lutar pelo que queria e livrar-se do que não a fazia bem. E foi o que ela fez: abriu os olhos, rompeu com suas amarras interiores,
bateu asas e voou.

E continua voando. Hoje, é livre. Sabe-se livre. É capaz de ver e sentir o mundo ao seu redor. E sabe que nada mais vai tirar o brilho dos seus olhos e seu coração, pois agora tem a luz por companheira: mesmo quando sozinha, sente seu brilho intenso e seu calor a envolvê-la, e a voar sempre ao seu lado...

2 comentários:

  1. Seria a frase "Eles passarão, eu passarinho" adequada para tal texto =X

    Enfim, que bom que o "passarinho" tenha conseguido se libertar a tempo de aproveitar o bom da vida, o prazer de viver e emanar toda sabedoria e paz que consegue transmitir apenas dizendo "xu"...

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  2. Adorei, Gabi! Gostei muito do texto e do seu blog.
    Beijos,
    Ju.

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