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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cores e Sons

Foi um dia daqueles que ficam pra sempre na memória. Ou melhor, uma noite.

Quando chegamos, já estava bem cheio, e mais gente chegava, chegava, chegava, até uma hora em que parecia não caber mais ninguém no galpão. Mesmo assim, a todo o momento mais pessoas entravam, e até onde disseram, foi assim até de manhã. Em determinados momentos, as luzes apagavam, a música parava, e depois de alguns segundos voltavam ao mesmo tempo, com muita força, e isso fazia com que todos ali cantassem ainda mais alto, dançando e vibrando com toda a energia que possuíam. Parecíamos em tudo com crianças, desde a alegria que não tinha fim, os pirulitos, balas e bebidas coloridas que eram servidos o tempo todo, até as roupas coloridas e vibrantes que brilhavam sob as luzes intensas.

De tudo, são tais luzes que permanecem com maior nitidez na minha memória. Verdes, azuis e violetas, uma de cada cor, uma de cada vez, todas juntas, piscando...
Depois de algum tempo, já não era capaz de identificar cada uma delas, mesclavam-se sob minha visão já distorcida, criavam novas cores e só o que eu podia notar era que acompanhavam sempre o ritmo da música, batidas semelhantes às dos corações ali presentes. Aliás, talvez nossos corações estivessem ditando a música naquela noite: uma batida rápida, acelerando cada vez mais, até chegar no auge... Silêncio. E recomeça.

Todas as coisas ali tinham suas cores, aliás, as minhas cores. Ganhavam a cor que eu queria dar a elas. Era só deixar a imaginação fluir, o que não era difícil, com o auxílio de tantas luzes e de todo aquele 'tuntz tuntz tuntz' que já fazia com que os corpos ganhassem movimento independente de nossas consciências. Conforme o tempo ia passando, tudo ficava mais bonito, as luzes piscavam mais depressa, as batidas da música aceleraram, juntamente com as do meu coração...

Até que tudo apagou.

Fui acordando aos poucos, sentindo um vento no meu rosto e um sacolejar muito forte. Abri os olhos com certa dificuldade, as pálpebras pareciam pesar mais que o de costume; ainda sem entender muito bem o que acontecera, notei que estava a bordo de um ônibus, a caminho de casa. Durante o resto da viagem, permaneci acordada com algum esforço, fazendo perguntas para as quais jamais obtive resposta: de onde teriam vindo todas aquelas luzes? Quem era aquela gente, por que estavam tão felizes? Que lugar era aquele onde tudo brilhava tanto, e que música estranha era aquela? Aquelas batidas rápidas, o compasso acelerado, que eu ainda sentia pulsar dentro de mim?

Cheguei em casa, e me deitei sem ao menos trocar de roupa. As perguntas ainda martelavam minha cabeça, mas aos poucos fui me desligando delas e relaxando. Só não conseguia me desligar daquele som mágico, que me causava arrepios e trazia consigo lembranças difusas de um galpão lotado, com muitas luzes e um 'tuntz tuntz tuntz' que jamais deveria ter fim.

Um comentário:

  1. Olha, se você não dissesse que tinha acordado de um sonho eu já iria dizer que você tomou balinha numa rave...

    "Quem era aquela gente, por que estavam tão felizes? Que lugar era aquele onde tudo brilhava tanto, e que música estranha era aquela?"

    Não percebeu? Tão simples, você sonhou que estava num aniversário de 15 anos de algum integrante de Crepusculo...dããã

    Tá, parei =X

    Excelente o texto [84692]

    Bjo

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